Sindicatos descartam demissão com o fim das sacolas plásticas
01/02/2012
O Sindicato dos Empregados no Comércio de Piracicaba descartou a possibilidade de demissão em Piracicaba dos empacotadores nas redes de supermercado com o fim do uso das sacolas plásticas desde o dia 25 de janeiro deste ano. “Nessa adaptação, alguns trabalhadores até foram contratados”, afirma o presidente da entidade, Antonio Roberto Previde.
A restrição ao produto começou a valer em todo o Estado na data, quando entrou em vigor o convênio firmado em maio do ano passado entre a APAS (Associação Paulista de Supermercados) e o Governo de São Paulo. A medida não tem força de lei.
Outros dois estabelecimentos que comercializam sacolas plásticas em Piracicaba compartilham da visão do sindicato. “Nós já temos a sacola biodegradável que vai substituindo aos poucos a outra. Além disso, já registramos um aumento na venda daquele saco de lixo branco para pia ou banheiro, então, termos muito trabalho”, garante a gerente da Arroba Embalagens, Ana Lúcia Prevelari.
Um funcionário da loja Prática Embalagens, que não quis se identificar, disse que como a mudança se refere a apenas um produto vendido na loja, não haverá impacto econômico. “A loja tem mais de 6 mil itens e a sacola é apenas mais um. Não vamos fazer mudança no quadro de funcionários”, ressalta.
Especiais
O Grupo Pão de Açúcar, que ocupa muitas das vagas de empacotamento com portadores de necessidades especiais, também confirma a previsão de que serão necessárias mais pessoas para trabalhar e não haverá demissão. “Vamos precisar de mais gente para atuar no empacotamento porque o trabalho de comportar corretamente os alimentos dentro de um recipiente maior será mais forte”, informou o Grupo por meio de sua assessoria de imprensa.
Justificativa
A justificativa para a retirada das sacolas de polietileno do mercado é a preservação ambiental, já que esse tipo de material demora a se decompor na natureza. Mas para o sindicato, embora a ideia seja plausível, a medida não é completa. “Acabaram com a sacolinha dentro do supermercado, mas e os plásticos para embalar legumes ou as bolsas? Eles também são prejudiciais ao ambiente”, observa Previde.
Ainda segundo o presidente do sindicato, em nenhum momento houve discussão com os estabelecimentos comerciais sobre o fim da sacolinha. “Muito se falou sobre o assunto, mas não se preparou ou orientou os comerciantes”, reclama Previde. Pelo acordo, o estabelecimento não é obrigado a oferecer alternativa às sacolas. “Mas todos estão se virando, remanejando funcionários para disponibilizar caixas de papelão para agradar os clientes”, comenta.
Desemprego
Já o Sindicado do Comércio Varejista de Piracicaba (Sincomércio) teme que a exclusão das sacolas de plástico resulte em demissões no setor. “É uma grande mudança para os comércios que vendem esse tipo de material”, afirma a gerente do sindicato, Eliana Rosa Pereira. Ela diz ainda que é muito cedo para fazer uma estimativa com números, mas o receio do desemprego permeia a situação, especialmente porque existem outros panoramas que confirmam a possibilidade de demissões.
Estado
A Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief) estima que 6 mil trabalhadores da indústria do plástico poderão perder o emprego só no Estado de São Paulo com o fim do uso das sacolas plásticas nos supermercados.
Fonte:
EPTV.com