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Pesquisa aponta que setor alimentício fatura cerca de R$ 11 bi por ano


03/09/2010

A Associação Brasileira de Franchising (ABF) divulgou a pesquisa “Panorama Global das Franquias do Setor de Alimentação”, feita em parceria com a ECD, consultoria especializada em food service. A amostra faz parte do Seminário Setorial de Redes de Alimentação, evento realizado anualmente pela entidade que reúne diversos profissionais do setor.

“A principal finalidade do estudo é levantar informações sobre o setor, suas tendências, inovações, mostrar a força do segmento”, explica Ricardo Bomeny, presidente da ABF. O estudo foi consolidada entre os meses de abril e junho de 2010, o ano base da pesquisa é a comparação de 2009 sobre 2008 e indica as expectativas de 2010 a 2012.

Ao todo 41 empresas, associadas à ABF, participaram da pesquisa representando um total de 5.308 lojas, sendo 16% lojas próprias e 84% franqueadas. As redes representadas na amostra equivalem a um faturamento anual de R$ 11.877 bilhões, o faturamento mensal por loja é de R$ 186.469,45, o ticket médio geral é de R$14,02, a taxa de crescimento na comparação de 2009/2008 é 17,4% e a expectativa para 2010/2009 é de 18,8%.

“O crescimento de 18,8% é um ótimo indicador do otimismo das empresas no mercado, que, apesar de ser bem competitivo e maduro com empresas fortes, com presença nacional, mostra claramente que existem ainda muitas oportunidades a serem exploradas”, afirma João Baptista Jr, coordenador do Grupo Setorial de Redes de Alimentação da associação.

A pesquisa foi dividida entre seis segmentos presentes no setor de redes de alimentação. São eles: comida asiática (6%), pizza/massas (6%), comida variada (24%); doceria (16%); snack/cafeteria (11%) e sanduíches (37%).

Alguns hábitos alimentares e o crescimento do franchising em determinadas regiões puderam ser observados na amostra. “Pelo estudo, constatamos que a nova fronteira de crescimento do mercado de franquias é a região Nordeste”, afirma Baptista. Ele esclarece que, apesar de o Sudeste continuar sendo a região com maior concentração no número de lojas (67,5%) e o Sul, com 12,0%, é a região Nordeste que desponta como nova rota de crescimento, 7,8%. A expectativa para 2010 é de chegar a 9,3%; em 2011, a 10,6%, e em 2012 a 11,6%, enquanto as demais regiões devem permanecer estáveis.

Presença das lojas por Estado em 2009
O estudo mostra que São Paulo tem o maior número de lojas (45,6%), seguido por Rio de Janeiro (15,4%), Paraná (6,2%), Distrito Federal (5,3%), Minas Gerais (5,2%), Santa Catarina (3,7%), Goiás (2,2%), Bahia (2,2%) e Rio Grande do Sul (2,0%). A expectativa para os próximos anos em número de presença de lojas por Estado é de que as quatro primeiras cidades permaneçam na linha de crescimento, em alguns casos até caiam, enquanto as demais regiões aumentem cerca de 1% a 1,5% a ocupação de lojas até o ano de 2012.

Para Enzo Donna, presidente da ECD, o que mais chamou a atenção no estudo foi o crescimento permanente do sistema de franquias, mesmo diante da crise que afetou o País. “O modelo não só continua crescendo em faturamento como também em número de lojas. O sistema de franquias está, cada vez mais, ampliando a sua oferta gastronômica. Apesar de o sanduíche ser o principal segmento, outras categorias alimentares como grelhados, comida trivial, massas, snacks e docerias crescem ano a ano, ocupam novos espaços no mercado de franquias”, ressalta.

Localização das lojas de franquias de alimentação
O shopping volta a ser a área com maior expectativa de novas lojas na área de franquias (54% em 2008; 52% em 2009; 55% é a expectativa para 2010, 59% para 2011 e 63% para 2012). Já a rua, que nos anos anteriores tinha crescido (37% em 2008 e 40% em 2009), deve apontar nos próximos anos uma queda na presença de lojas, 38% em 2010, 34% em 2011 e 30% em 2012.

Hipermercados também devem ter uma leve queda na participação nos próximos anos. O crescimento foi de 6% em 2008, 5% em 2009 e deve continuar assim em 2010 e cai para 4% em 2011 e 2012.

As galerias não apresentaram crescimento e devem continuar com 1% até 2011 e 2% em 2012. No entanto, serão nas galerias e hipermercados que os formatos de quiosques devem expandir. Em termos de custos, os shoppings têm o custo mais alto (17,1%), contra 15,1% de ruas e 5,2% nas demais ocupações.

Desempenho x faturamento
O faturamento anual do setor gira em torno de quase R$ 12 bilhões, sendo que o mensal por loja fica em torno de mais de R$ 186 mil; já o faturamento médio por funcionário (anual) é cerca de R$ 91 mil. O segmento de doceria é o que mais arrecada, com R$ 185 mil; seguido pelo segmento de sanduíches (R$ 92 mil); comida variada (R$ 81 mil); pizza e massas (R$ 77 mil); snack e cafeteria (R$ 53 mil) e comida asiática, com cerca de R$ 49 mil de faturamento.

Desempenho x ticket médio
O maior ticket médio continua sendo o do segmento de comida asiática com R4 26,94; pizzas e massas vêm em segundo lugar com R$ 16,74, seguido de doceria (R$ 16,53) e comida variada (R$ 13,68). Em linhas gerais a taxa de crescimento e expectativa indicam de 2008 para 2009 o segmento comida asiática cresceu 7,1%, a previsão de crescimento de 2009 para 2010 é de 9,4%.

Em termos de participação no faturamento, o setor de sanduíches lidera com 69,8%, equivalente na participação de público, 69,6%. É o setor mais expressivo do sistema de franquias e também o setor com maior faturamento por loja, com 38,3%. No entanto, a pesquisa chama a atenção sobre o aumento no faturamento desse setor, basicamente por adequação de preços, mais que de público.

Em seguida está comida variada com 14,8% no faturamento e 18,4% em participação no público. Esse segmento cresceu em público médio por loja, em número de lojas, porém houve uma queda expressiva de ticket médio (16,4%). Em terceiro lugar, aparece o segmento de snack e cafeteria: 7,4% no faturamento e 2,4% de participação no público.

“Recentes levantamentos do IBGE apontam que o brasileiro está optando por comidas mais balanceadas, onde o almoço e o jantar crescem na participação da despesa fora de casa. Neste caso, as despesas na categoria de sanduíches tiveram queda”, acrescenta o especialista Enzo Donna.


Fonte: Meta Análise

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